sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Agro Agora
Dólar PTAX · BRBrasilR$ 5,1859 +0,43%Soja · SCChapecóR$ 138,00 +1,32%Milho · GORio VerdeR$ 53,40 0,00%Milho · MTCáceresR$ 52,80 0,00%Milho · MSCampo GrandeR$ 73,80 0,00%Milho · SPAvaréR$ 61,80 0,00%

Proteína Animal

IA entra na maternidade suína para tentar reduzir morte de leitões

Câmeras e visão computacional acompanham porcas e leitões em tempo real e geram alertas para ajudar no manejo dentro das maternidades.

IA entra na maternidade suína para tentar reduzir morte de leitões
Divulgação

Na maternidade suína, alguns minutos podem separar um leitão saudável de uma perda para a granja. Foi justamente nesse intervalo que a inteligência artificial encontrou espaço para entrar.

A startup brasileira Herdian desenvolveu uma tecnologia que utiliza câmeras, visão computacional e inteligência artificial para acompanhar matrizes e leitões durante 24 horas e identificar situações em que a equipe precisa intervir.

O sistema monitora comportamento das fêmeas, frequência de alimentação e hidratação, risco de esmagamento e leitões que podem não ter conseguido mamar. Quando identifica uma situação fora do padrão, envia alertas por painéis, tablets ou WhatsApp.

A proposta não é substituir o tratador. É tentar fazer com que ele chegue primeiro justamente às baias em que existe maior risco.

A maternidade concentra uma das perdas mais sensíveis

A mortalidade antes do desmame é um problema multifatorial na produção de suínos. Peso ao nascer, consumo de colostro, vitalidade do leitão, condição da matriz, temperatura e ambiente podem alterar as chances de sobrevivência. O esmagamento também aparece entre as causas relevantes de morte.

Um estudo brasileiro que avaliou mortalidade neonatal em sistema intensivo identificou que a maior parte das mortes ocorria durante a primeira semana de vida. Naquele levantamento, o esmagamento foi a causa mais frequente entre as perdas registradas.

Isso ajuda a explicar por que a maternidade virou um dos pontos mais interessantes para a aplicação de monitoramento automático. O problema é simples de entender. Uma equipe pode cuidar de dezenas de baias, mas não consegue observar todas ao mesmo tempo. Uma câmera consegue.

Câmera deixa de ser apenas para gravar

A diferença está no que acontece com a imagem. Em um sistema convencional, a câmera registra aquilo que ocorreu. Com visão computacional, a proposta é fazer o software interpretar padrões de comportamento e identificar situações que merecem atenção.

Segundo a Herdian, o sistema foi desenvolvido para acompanhar matrizes e leitões continuamente e emitir um aviso quando percebe risco de esmagamento, alterações de comportamento ou falhas de manejo.

Na prática, o tratador deixa de depender exclusivamente de rondas para descobrir onde existe um problema. A tecnologia tenta dizer onde ele precisa olhar primeiro.

Falta de mão de obra aumenta valor da tecnologia

Existe ainda outra conta por trás da inovação. A suinocultura vem enfrentando dificuldade para encontrar e manter mão de obra qualificada nas propriedades.

E a maternidade exige atenção constante. Quanto menor a equipe, mais difícil manter observação individual de todas as matrizes e leitegadas ao longo do dia.

É nesse cenário que a inteligência artificial começa a ser vendida não apenas como tecnologia, mas como ferramenta de gestão de mão de obra. A câmera não alimenta o animal, não trata a matriz, não reposiciona um leitão.

Não substitui a decisão do profissional.

Mas pode ajudar a equipe a decidir onde agir primeiro.

Menos mortalidade significa produzir mais sem aumentar o plantel

Existe também uma consequência econômica importante.

Cada leitão que morre na maternidade representa todo um potencial produtivo que desaparece antes mesmo das fases de creche, crescimento e terminação.

Por isso, reduzir mortalidade pode melhorar a produtividade sem necessidade de ampliar o número de matrizes.

A própria Embrapa destaca que sobrevivência e desempenho inicial estão diretamente relacionados a fatores como peso ao nascer, capacidade de termorregulação e acesso ao colostro.

Para uma atividade que atualmente convive com margens apertadas, isso ganha ainda mais importância. Produzir mais não significa necessariamente colocar mais animais dentro da granja. Também pode significar perder menos dos animais que já nasceram.

Tecnologia precisa provar resultado na granja

A promessa é atraente, mas existe uma etapa que será decisiva para a adoção em escala: demonstrar quanto a ferramenta efetivamente reduz perdas e qual é o retorno econômico do investimento.

A Herdian afirma que sua solução foi desenvolvida justamente para reduzir mortalidade e melhorar o manejo da maternidade.

Não localizamos, porém, dados públicos independentes que permitam quantificar quanto a tecnologia reduz a mortalidade média em diferentes sistemas produtivos.

Esse será um dos pontos que produtores precisarão colocar na conta. Quanto custa instalar? Quanto custa manter? Quantos leitões precisa salvar para pagar o investimento? E como o sistema funciona em granjas de tamanhos e estruturas diferentes?

IA não cria leitão. Tenta evitar que ele seja perdido

A inteligência artificial está chegando ao agro principalmente onde existe volume de informação grande demais para depender apenas do olhar humano.

Na maternidade suína, essa informação é comportamento. Uma matriz que muda a rotina, um leitão que não mama, uma situação de risco que acontece durante alguns minutos. A tecnologia tenta transformar esses sinais em alerta. Não elimina manejo, sanidade ou presença humana. Mas acrescenta um segundo par de olhos que não precisa dormir.

E, numa fase em que cada animal perdido representa produtividade que desaparece antes mesmo de chegar à engorda, a lógica econômica é direta:

a IA não coloca mais leitões dentro da granja. Ela tenta impedir que parte daqueles que já nasceram saia da conta antes da hora.

Afinidade de tema

Continue lendo

Atualização contínua

Últimas notícias