É por isso que o Política e Agro lança série especial para analisar o que os planos de governo dos principais candidatos à Presidência propõem para quem produz no Brasil
O Brasil vai escolher um presidente para governar uma das maiores potências agrícolas do mundo. Mas, antes do voto, uma pergunta precisa ser respondida: o que os planos de governo para o agro realmente propõem para quem produz no Brasil?
Não estamos falando de um setor periférico da economia.
Em 2025, o agronegócio movimentou cerca de R$ 3,2 trilhões e respondeu por 25,13% do PIB brasileiro, segundo levantamento da CNA e do Cepea. É praticamente um quarto de tudo o que o país produz economicamente.
É alimento, emprego, exportação, indústria, cooperativismo, transporte, tecnologia, máquinas, crédito e renda circulando por milhares de municípios brasileiros.
Por isso, é difícil aceitar que o agronegócio apareça apenas como um capítulo secundário, algumas linhas genéricas ou um conjunto de boas intenções em um plano de quem pretende governar o Brasil.
O agro não precisa ser o único assunto de um programa de governo.
Mas precisa estar entre as prioridades.
Porque quem assumir o Palácio do Planalto em janeiro de 2027 terá decisões importantes pela frente.
Terá de enfrentar o endividamento rural e a dificuldade crescente de acesso ao crédito. Terá de discutir seguro rural e gestão de risco climático. Terá de lidar com juros, tributação, infraestrutura, armazenagem, fertilizantes, energia e custo de produção.
Terá ainda de definir como o Brasil vai conciliar produção e preservação ambiental, ampliar mercados internacionais, garantir segurança jurídica ao produtor, fortalecer a pesquisa agropecuária e aumentar a competitividade de um setor que disputa mercado com países que também subsidiam, protegem e financiam seus produtores.
Essas decisões não podem começar depois da eleição.
Precisam estar no debate eleitoral.
O que os candidatos realmente propõem?
É por isso que, junto com o lançamento do site do Política e Agro, o primeiro especializado no segmente, que iniciamos uma série especial sobre as eleições de 2026:
O agro nos planos de quem quer governar o Brasil.
A proposta é simples.
Vamos abrir os planos de governo, ler o que está escrito e traduzir para o produtor rural o que cada candidatura propõe para o setor.
Até agora, foram apresentados à Justiça Eleitoral 13 pedidos de candidatura à Presidência da República. Esses registros ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral e podem sofrer alterações ao longo da campanha.
O Política e Agro fará um recorte editorial entre as candidaturas com representatividade no debate eleitoral, considerando critérios previamente definidos, como presença nas pesquisas nacionais, relevância política e participação efetiva na disputa presidencial.
No recorte inicial da série estarão Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Pablo Marçal, Augusto Cury e Renan Santos.
No caso de Pablo Marçal, o pedido de candidatura foi apresentado, mas sua situação jurídica ainda depende da análise da Justiça Eleitoral. A própria relação divulgada com base nos dados do TSE registra sua atual condição de inelegibilidade.
Não vamos analisar quem fala mais bonito sobre o campo.
Vamos procurar o que está no papel.
Planos de governo para o agro serão analisados pela mesma régua
Todos os planos serão analisados pelos mesmos critérios.
Queremos saber o que cada candidatura propõe para crédito rural e endividamento. Quanto espaço dedica ao seguro rural. Como pretende enfrentar o custo de produção. O que pensa sobre tributação, infraestrutura e logística.
Vamos procurar propostas para pesquisa, tecnologia, inovação e defesa agropecuária.
Também vamos analisar meio ambiente, licenciamento, regularização, segurança jurídica e direito de propriedade.
Vamos olhar para comércio exterior, acordos comerciais, fertilizantes, abertura de mercados e competitividade internacional.
E há uma pergunta que será feita em todos os episódios:
o que o candidato não respondeu?
Porque uma ausência em um plano de governo também diz muita coisa.
Promessa precisa caber na realidade
Não basta escrever que haverá mais crédito.
De onde virá o dinheiro?
Não basta prometer seguro rural.
Haverá orçamento?
Não basta falar em infraestrutura.
Quais são as prioridades?
Não basta defender sustentabilidade.
Como ficam produção, regularização e segurança jurídica?
Não basta dizer que o Brasil precisa exportar mais.
Como pretende abrir mercados e enfrentar novas barreiras comerciais?
É esse tipo de pergunta que queremos colocar sobre os programas.
A série não nasce para dizer ao produtor rural em quem votar.
Nasce para oferecer informação para que cada leitor faça sua própria avaliação.
Não haverá candidato poupado porque é de direita, de esquerda ou de centro. Também não haverá nota maior porque alguém tem história ligada ao campo ou porque aprendeu a usar a palavra “agro” durante a campanha.
A régua será a mesma.
Proposta, viabilidade, prioridade e aquilo que ficou de fora.
O Agro também precisa escolher olhando para o Plano de Governo
Durante muito tempo, parte da discussão eleitoral sobre o agronegócio ficou concentrada em declarações, discursos, encontros com entidades e fotografias em feiras agropecuárias.
Tudo isso faz parte de uma campanha.
Mas governar é outra coisa.
Depois que a eleição acaba, ficam o orçamento, as leis, os ministérios, os bancos públicos, as negociações internacionais e as decisões tomadas em Brasília.
É aí que o produtor sente quem realmente conhecia os problemas do setor e quem apenas conhecia o discurso.
O Brasil não pode discutir seu futuro econômico deixando um quarto de sua economia no rodapé do plano de governo.
Quem quer governar o Brasil precisa dizer, antes da eleição, o que pretende fazer com o agro.
E o Política e Agro vai abrir cada plano para descobrir.







