Engenheira-agrônoma de 36 anos preside o Conselho de Administração da Boa Safra Sementes, empresa que saiu do interior de Goiás, chegou à B3 e faturou R$ 2,62 bilhões em 2025
Uma história que começou no Cerrado goiano, quando um Fusca foi trocado por um pedaço de terra, chegou ao mercado de capitais e, agora, à lista das mulheres mais poderosas do Brasil.
A engenheira-agrônoma Camila Colpo Koch, de 36 anos, presidente do Conselho de Administração da Boa Safra Sementes, foi escolhida pela Forbes Brasil entre as 16 mulheres de destaque do país em 2026. A relação reúne lideranças de diferentes áreas, do agronegócio à ciência, tecnologia, mercado financeiro e comunicação.
Para o agro, o reconhecimento chama atenção por dois motivos. O primeiro é a trajetória empresarial construída a partir de uma propriedade rural no interior de Goiás. O segundo é a presença de uma mulher no comando estratégico de uma companhia de sementes que abriu capital na bolsa e ganhou escala nacional.
Uma história que começou no Cerrado
A origem da família no agro remonta a 1979, quando o pai de Camila, engenheiro-agrônomo gaúcho, chegou a Goiás em meio ao movimento de produtores que avançavam sobre o Cerrado.
Segundo relato de Camila à Forbes, ele trocou um Fusca usado por uma área de terra em Formosa. Foi ali que começou uma trajetória ligada à agricultura e, posteriormente, à produção de sementes.
Camila cresceu acompanhando plantio, colheita e manejo. Mais tarde, escolheu a agronomia e estudou na Universidade Federal de Goiás. A atuação técnica acabou se tornando uma das bases do crescimento da empresa familiar.
Em 2009, ela e o irmão, Marino Colpo, estruturaram a Boa Safra. Enquanto ele assumiu uma atuação mais voltada à gestão financeira e executiva, Camila concentrou parte importante de sua trajetória em qualidade, tecnologia e desenvolvimento das sementes.
Tecnologia ajudou a profissionalizar o negócio
Um dos primeiros movimentos liderados por Camila foi a implantação do laboratório próprio de análise da Boa Safra, em 2013. A empresa também investiu na climatização dos armazéns para controlar temperatura e umidade e preservar características como vigor e germinação das sementes.
Em 2017, a agrônoma passou por uma especialização em melhoramento genético no centro de pesquisas da Syngenta, em Toulouse, na França.
A empresa ampliou a estrutura e chegou ao mercado de capitais em 2021, com a abertura de capital na B3. Em 2025, a Boa Safra encerrou o ano com receita líquida de R$ 2,62 bilhões. Atualmente, a operação envolve aproximadamente 350 produtores parceiros e cerca de 300 mil hectares destinados à produção de sementes.
O crescimento mostra como uma atividade que nasceu ligada à produção rural conseguiu avançar para tecnologia, governança, pesquisa e mercado financeiro sem romper a ligação com o campo.
Mulher no espaço de decisão do agro
A presença de Camila na lista da Forbes também coloca em evidência a participação feminina nos espaços de comando do agronegócio.
Ela preside o conselho da Boa Safra desde 2015 e, ao receber o reconhecimento, afirmou que não considera a conquista apenas individual. Disse se sentir representando as mulheres que trabalham diariamente no agro.
Esse simbolismo importa em um setor no qual a participação feminina cresceu na gestão das propriedades, nas empresas, na pesquisa e no empreendedorismo, mas os principais cargos de decisão ainda possuem predominância masculina.
A própria trajetória de Camila mostra uma mudança geracional. Ela recebeu um negócio familiar ligado à terra, mas participou da transformação desse patrimônio em uma companhia profissionalizada, com laboratório, melhoramento genético, governança corporativa e ações negociadas em bolsa.
Do interior para o mercado de capitais
A história da Boa Safra não é apenas sobre o tamanho que a empresa alcançou. Também mostra uma transformação que ocorre em diferentes negócios do agro brasileiro.
Famílias que começaram produzindo passaram a investir em processamento, tecnologia, gestão e profissionalização. Algumas chegaram ao mercado de capitais e passaram a disputar espaço com grandes grupos nacionais e internacionais.
No caso de Camila Colpo, o reconhecimento da Forbes coloca essa transformação em uma trajetória pessoal: da propriedade iniciada com a troca de um Fusca no Cerrado à presidência do conselho de uma companhia bilionária do setor de sementes.
E mostra também que algumas das grandes histórias empresariais do agro continuam começando longe dos grandes centros, dentro da propriedade rural.







