sexta-feira, 28 de agosto de 2026
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Agronegócio

Fibra de madeira entra na ração e abre nova frente para a nutrição de suínos

Lignocelulose produzida a partir de madeira processada começa a ganhar espaço nas formulações de ração e abre nova frente para a nutrição de suínos.

Fibra de madeira entra na ração e abre nova frente para a nutrição de suínos
Divulgação

Madeira na alimentação dos suínos pode parecer estranho à primeira vista, mas a proposta não tem relação com colocar serragem dentro da ração.

Uma tecnologia apresentada durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, em Chapecó, utiliza lignocelulose extraída de madeira de pinus de reflorestamento, submetida a processamento para funcionar como fonte de fibra na dieta dos animais.

A solução, desenvolvida pela Global Feed Solutions, busca substituir parte de fontes tradicionalmente utilizadas na formulação das rações, como farelo de trigo e casca de soja, principalmente em estratégias voltadas à saúde intestinal.

Fibra funciona de forma diferente no intestino

Durante o processamento, a estrutura da lignocelulose é modificada para ampliar sua capacidade de retenção de água.

Segundo os pesquisadores da empresa, o material passa a funcionar como uma espécie de pequena esponja no trato digestivo, ajudando no trânsito intestinal e criando condições favoráveis para processos de fermentação.

A proposta também envolve efeitos sobre a absorção de nutrientes e o equilíbrio do sistema digestivo.

Na prática, a tecnologia tenta mostrar que a fibra não precisa ser tratada apenas como um componente de volume na formulação, ela também pode desempenhar funções relacionadas à saúde intestinal e ao desempenho dos animais.

Matrizes também entram na estratégia

Os possíveis efeitos ganham importância especialmente na alimentação das matrizes.

Durante gestação e lactação, a condição intestinal da fêmea pode interferir em consumo, bem-estar e desempenho produtivo. Segundo a empresa, uma dieta com fibra adequada pode contribuir para melhores condições digestivas e, como consequência, favorecer produção de leite e desenvolvimento dos leitões.

A lógica é tentar melhorar o resultado da maternidade sem necessariamente aumentar o consumo de grandes volumes de ingredientes fibrosos.

Mas esses benefícios dependem da formulação completa da dieta e das condições de cada sistema produtivo.

Ração pesa mais de 70% no custo

A discussão ganha outra dimensão quando chega à conta da propriedade.

Em Santa Catarina, a alimentação respondeu por 72,6% do custo de produção do suíno vivo em junho, segundo dados da Embrapa citados no debate.

Isso significa que qualquer mudança na formulação precisa ser avaliada não apenas pelo potencial técnico, mas pelo retorno financeiro.

A lignocelulose pode ter custo por quilo superior ao de algumas fontes convencionais de fibra, porém sua inclusão tende a ocorrer em proporções menores.

É justamente aí que precisa entrar a conta da granja.

Quanto custa incluir?

Quanto de outro ingrediente pode ser reduzido?

Existe ganho mensurável em desempenho, saúde ou redução de perdas?

O resultado econômico dependerá dessas respostas.

Tecnologia precisa aparecer no resultado

A suinocultura catarinense atravessa um período em que eficiência ganhou ainda mais importância. Com margens pressionadas, sobra pouco espaço para tecnologias que aumentem o custo sem entregar resultado dentro da propriedade.

Por isso, o uso da lignocelulose precisa ser definido por nutricionistas e ajustado conforme idade, categoria, objetivo da dieta e estrutura produtiva.

A inovação apresentada em Chapecó amplia as possibilidades de formulação e mostra como matérias-primas de origem vegetal podem ganhar novas aplicações dentro da produção animal.

Mas a régua continua sendo a mesma.

Na suinocultura, uma nova tecnologia não pode ser avaliada apenas pelo ingrediente que entra na ração, precisa aparecer na saúde dos animais, na produtividade e, principalmente, no resultado econômico da granja.

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