O Paraná deve colher 47,3 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/26, mas o número esconde duas realidades bem diferentes no campo.
De um lado, seca e geadas reduziram a estimativa do milho safrinha em aproximadamente 4%. Do outro, 97% das lavouras de trigo estão classificadas em boas condições, o melhor resultado vegetativo registrado em dez anos.
Os dados fazem parte do boletim de julho do Departamento de Economia Rural, o Deral, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.
O volume total mantém o Paraná em um patamar elevado de produção, embora não represente recorde histórico. O desempenho ficou abaixo do potencial principalmente na segunda safra e nas culturas de inverno.
Soja sustenta produção paranaense
A soja continua sendo a principal responsável pelo volume estadual.
Mesmo com redução de 1% na área plantada, para 5,735 milhões de hectares, a expectativa é colher 21,81 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação ao ciclo anterior.
O resultado ajuda a sustentar a produção total e o fluxo financeiro das regiões agrícolas.
Uma safra desse tamanho também movimenta transporte, armazenagem, comércio no interior e exportações pelo Porto de Paranaguá.
Mas coloca outra pressão sobre o produtor: encontrar espaço para armazenar e escolher o momento de comercializar em um ambiente de fretes e custos logísticos elevados.
Milho perde cerca de 750 mil toneladas
No milho segunda safra, o clima virou a conta.
A projeção inicial indicava produção de 17,8 milhões de toneladas. Depois da estiagem e das geadas registradas principalmente nas regiões Sul e Oeste, a estimativa foi reduzida para 17,05 milhões de toneladas.
São aproximadamente 750 mil toneladas a menos que o esperado inicialmente.
Para o produtor que já tem milho pronto para colher, o Deral recomenda aproveitar as janelas de tempo firme.
A permanência do grão no campo em períodos de maior umidade aumenta o risco de fungos, perda de qualidade comercial e tombamento das plantas.
Trigo tem menos área, mas lavouras surpreendem
No trigo, a fotografia é quase oposta.
O Paraná concluiu o plantio com 727,5 mil hectares, redução de 11% na comparação com o ciclo anterior.
Com menos área, a produção projetada caiu 18%, passando de 2,88 milhões para 2,37 milhões de toneladas.
Mas aquilo que está plantado apresenta desempenho acima do normal.
Segundo o Deral, 97% das lavouras estão em boas condições, melhor índice da última década.
A qualidade atual, porém, não elimina o risco climático.
O boletim alerta para a necessidade de monitoramento fitossanitário diante da alternância entre chuva e temperaturas mais altas, ambiente que favorece o avanço de doenças fúngicas.
Há ainda preocupação com a possibilidade de consolidação de um El Niño de forte intensidade.
Menor oferta ajuda preços de milho e trigo
A redução da disponibilidade também começou a aparecer nas cotações.
Entre junho e julho, o milho valorizou 2,59% no mercado paranaense. A saca de 60 quilos passou de R$ 51,33 para R$ 52,66.
O trigo avançou 1,70%, saindo de R$ 69,87 para R$ 71,05 por saca.
É uma melhora para quem tem produto para comercializar, mas mostra novamente a contradição conhecida do produtor.
Preço maior nem sempre significa resultado melhor quando a valorização acontece justamente porque parte da produção foi perdida.
47 milhões de toneladas não contam toda a história
A safra paranaense continua grande.
Os 47,3 milhões de toneladas projetados movimentam uma cadeia que vai da propriedade ao porto e ajudam a sustentar uma das principais economias agrícolas do país.
Mas o número agregado não mostra sozinho quem ganhou e quem perdeu dentro da safra.
A soja avançou.
O milho perdeu produção para seca e geadas.
O trigo reduziu área, mas chega ao desenvolvimento com a melhor condição vegetativa da última década.
No campo, uma safra pode ser grande no papel e muito diferente quando analisada cultura por cultura.
E no Paraná, o clima deixou isso especialmente claro neste ciclo.







