sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Agro Agora
Dólar PTAX · BRBrasilR$ 5,1859 +0,43%Soja · SCChapecóR$ 138,00 +1,32%Milho · GORio VerdeR$ 53,40 0,00%Milho · MTCáceresR$ 52,80 0,00%Milho · MSCampo GrandeR$ 73,80 0,00%Milho · SPAvaréR$ 61,80 0,00%

Economia

Nugali conquista seis medalhas e leva chocolate catarinense à final mundial

Marca de Pomerode soma 53 medalhas internacionais desde 2016 e classifica seis produtos para a etapa mundial da premiação.

Empresa de Pomerode alcança maior número de prêmios em uma única edição da competição e reforça trajetória iniciada há mais de duas décadas com aposta no cacau brasileiro.
Divulgação

Um chocolate produzido em Pomerode colocou Santa Catarina novamente entre os destaques de uma das principais competições internacionais do setor.

A Nugali Chocolates conquistou seis medalhas na etapa América Latina e Caribe do International Chocolate Awards 2026, o melhor resultado da empresa em uma única edição do concurso.

O principal destaque foi o Dragée de Café, que recebeu medalha de prata. O produto combina grãos de café com cobertura de chocolate ao leite.

Também receberam bronze o Dragée de Cacau, o Chocolate Amargo Cacau em Flor 70%, o Chocolate ao Leite 45%, o Chocolate 70% com Crocante de Açaí e o Chocolate ao Leite 45% com Castanha-do-Pará. Os resultados constam na relação oficial da competição.

Com as seis novas conquistas, a fabricante catarinense chega a 53 medalhas internacionais desde 2016.

Agora, os produtos premiados estão habilitados para participar da final mundial do International Chocolate Awards, prevista para outubro.

Uma história que começou em Pomerode

O resultado de 2026 é o capítulo mais recente de uma trajetória iniciada há mais de 20 anos.

A Nugali foi fundada em 2004, em Pomerode, por Maitê Lang e Ivan Blumenschein. Os dois eram ex-executivos da Embraer e decidiram apostar em um segmento que, naquele momento, ainda tinha pouco espaço no Brasil: chocolates de maior concentração de cacau, produzidos com matéria-prima brasileira de qualidade superior.

No mesmo ano da fundação, a empresa lançou um chocolate com 70% de cacau, iniciativa ainda pouco comum no mercado nacional daquela época.

A virada mais importante veio pouco depois.

Em 2006, a Nugali lançou o Serra do Conduru 80% Cacau, apontado pela empresa como o primeiro chocolate bean to bar produzido no Brasil. O cacau utilizado vinha do Sul da Bahia e o nome fazia referência à região onde a parceria com produtores começou.

Bean to bar significa, literalmente, da amêndoa à barra.

Nesse modelo, o fabricante controla o processo desde a seleção das amêndoas, passando por torra, moagem e produção da massa, até cristalização, moldagem e embalagem do chocolate.

Essa escolha aproximou a fábrica da produção agrícola.

Desde o início, a empresa buscou relacionamento direto com produtores e cooperativas de cacau, especialmente no Sul da Bahia, com uma estratégia voltada à qualidade e à valorização da matéria-prima.

Hoje, a Nugali informa produzir aproximadamente 200 toneladas de chocolate por ano e estar presente em quase 2 mil pontos de venda no Brasil.

A fábrica está instalada na Rota do Enxaimel, em Pomerode, e também recebe visitantes por meio de um tour que apresenta as diferentes etapas de produção do chocolate.

Primeiro prêmio internacional veio em 2016

A história internacional começou dez anos depois do lançamento do Serra do Conduru.

Em 2016, o chocolate 80% recebeu prata na etapa América, Ásia e Pacífico do International Chocolate Awards e, depois, bronze na final mundial realizada em Londres. Foi a primeira sequência de premiações internacionais da empresa.

Desde então, os produtos da marca passaram a aparecer regularmente em competições internacionais.

Até 2025, a Nugali contabilizava 47 medalhas internacionais. As seis conquistadas em 2026 elevaram esse número para 53.

A trajetória também inclui reconhecimentos fora das competições de sabor. Em 2022, a empresa recebeu o Prêmio Nacional de Inovação, da Confederação Nacional da Indústria, dentro de uma estratégia que inclui aproveitamento de resíduos, embalagem biodegradável e operação com certificação Lixo Zero.

Cacau brasileiro ganha valor na barra

As medalhas de 2026 também contam uma história importante para o agro. Cacau, café, açaí e castanha-do-Pará aparecem em produtos reconhecidos internacionalmente. É uma lógica diferente daquela que normalmente associa o Brasil apenas ao fornecimento de commodities.

O cacau deixa a propriedade rural como matéria-prima, passa por processamento, marca, desenvolvimento de produto e chega ao consumidor com valor agregado muito maior.

O mesmo acontece com outros ingredientes brasileiros incorporados às receitas. É justamente aí que a história da Nugali conversa com o agronegócio.

A empresa nasceu apostando que o cacau brasileiro poderia ser vendido não apenas pelo volume produzido, mas também por origem, qualidade e características próprias.

Vinte anos depois, essa estratégia colocou chocolates fabricados em uma cidade do Vale do Itajaí diante de jurados internacionais e concorrentes de países tradicionalmente associados ao produto.

De Pomerode para a final mundial

O resultado de 2026 representa também um novo recorde interno. Nunca a Nugali havia conquistado seis medalhas em uma única edição do International Chocolate Awards. Agora, a etapa mundial será o próximo teste.

Mas, independentemente do resultado final, a marca já ultrapassou a barreira das 50 premiações internacionais e construiu uma trajetória que ajuda a contar outra história sobre o agro brasileiro.

Não apenas a do país que produz cacau.

Mas a do país que consegue transformar esse cacau em produto de alto valor, construir uma marca em Santa Catarina e disputar espaço entre os melhores chocolates do mundo.

Afinidade de tema

Continue lendo

Atualização contínua

Últimas notícias