Um chocolate produzido em Pomerode colocou Santa Catarina novamente entre os destaques de uma das principais competições internacionais do setor.
A Nugali Chocolates conquistou seis medalhas na etapa América Latina e Caribe do International Chocolate Awards 2026, o melhor resultado da empresa em uma única edição do concurso.
O principal destaque foi o Dragée de Café, que recebeu medalha de prata. O produto combina grãos de café com cobertura de chocolate ao leite.
Também receberam bronze o Dragée de Cacau, o Chocolate Amargo Cacau em Flor 70%, o Chocolate ao Leite 45%, o Chocolate 70% com Crocante de Açaí e o Chocolate ao Leite 45% com Castanha-do-Pará. Os resultados constam na relação oficial da competição.
Com as seis novas conquistas, a fabricante catarinense chega a 53 medalhas internacionais desde 2016.
Agora, os produtos premiados estão habilitados para participar da final mundial do International Chocolate Awards, prevista para outubro.
Uma história que começou em Pomerode
O resultado de 2026 é o capítulo mais recente de uma trajetória iniciada há mais de 20 anos.
A Nugali foi fundada em 2004, em Pomerode, por Maitê Lang e Ivan Blumenschein. Os dois eram ex-executivos da Embraer e decidiram apostar em um segmento que, naquele momento, ainda tinha pouco espaço no Brasil: chocolates de maior concentração de cacau, produzidos com matéria-prima brasileira de qualidade superior.
No mesmo ano da fundação, a empresa lançou um chocolate com 70% de cacau, iniciativa ainda pouco comum no mercado nacional daquela época.
A virada mais importante veio pouco depois.
Em 2006, a Nugali lançou o Serra do Conduru 80% Cacau, apontado pela empresa como o primeiro chocolate bean to bar produzido no Brasil. O cacau utilizado vinha do Sul da Bahia e o nome fazia referência à região onde a parceria com produtores começou.
Bean to bar significa, literalmente, da amêndoa à barra.
Nesse modelo, o fabricante controla o processo desde a seleção das amêndoas, passando por torra, moagem e produção da massa, até cristalização, moldagem e embalagem do chocolate.
Essa escolha aproximou a fábrica da produção agrícola.
Desde o início, a empresa buscou relacionamento direto com produtores e cooperativas de cacau, especialmente no Sul da Bahia, com uma estratégia voltada à qualidade e à valorização da matéria-prima.
Hoje, a Nugali informa produzir aproximadamente 200 toneladas de chocolate por ano e estar presente em quase 2 mil pontos de venda no Brasil.
A fábrica está instalada na Rota do Enxaimel, em Pomerode, e também recebe visitantes por meio de um tour que apresenta as diferentes etapas de produção do chocolate.
Primeiro prêmio internacional veio em 2016
A história internacional começou dez anos depois do lançamento do Serra do Conduru.
Em 2016, o chocolate 80% recebeu prata na etapa América, Ásia e Pacífico do International Chocolate Awards e, depois, bronze na final mundial realizada em Londres. Foi a primeira sequência de premiações internacionais da empresa.
Desde então, os produtos da marca passaram a aparecer regularmente em competições internacionais.
Até 2025, a Nugali contabilizava 47 medalhas internacionais. As seis conquistadas em 2026 elevaram esse número para 53.
A trajetória também inclui reconhecimentos fora das competições de sabor. Em 2022, a empresa recebeu o Prêmio Nacional de Inovação, da Confederação Nacional da Indústria, dentro de uma estratégia que inclui aproveitamento de resíduos, embalagem biodegradável e operação com certificação Lixo Zero.
Cacau brasileiro ganha valor na barra
As medalhas de 2026 também contam uma história importante para o agro. Cacau, café, açaí e castanha-do-Pará aparecem em produtos reconhecidos internacionalmente. É uma lógica diferente daquela que normalmente associa o Brasil apenas ao fornecimento de commodities.
O cacau deixa a propriedade rural como matéria-prima, passa por processamento, marca, desenvolvimento de produto e chega ao consumidor com valor agregado muito maior.
O mesmo acontece com outros ingredientes brasileiros incorporados às receitas. É justamente aí que a história da Nugali conversa com o agronegócio.
A empresa nasceu apostando que o cacau brasileiro poderia ser vendido não apenas pelo volume produzido, mas também por origem, qualidade e características próprias.
Vinte anos depois, essa estratégia colocou chocolates fabricados em uma cidade do Vale do Itajaí diante de jurados internacionais e concorrentes de países tradicionalmente associados ao produto.
De Pomerode para a final mundial
O resultado de 2026 representa também um novo recorde interno. Nunca a Nugali havia conquistado seis medalhas em uma única edição do International Chocolate Awards. Agora, a etapa mundial será o próximo teste.
Mas, independentemente do resultado final, a marca já ultrapassou a barreira das 50 premiações internacionais e construiu uma trajetória que ajuda a contar outra história sobre o agro brasileiro.
Não apenas a do país que produz cacau.
Mas a do país que consegue transformar esse cacau em produto de alto valor, construir uma marca em Santa Catarina e disputar espaço entre os melhores chocolates do mundo.







