sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Agro Agora
Dólar PTAX · BRBrasilR$ 5,1859 +0,43%Soja · SCChapecóR$ 138,00 +1,32%Milho · GORio VerdeR$ 53,40 0,00%Milho · MTCáceresR$ 52,80 0,00%Milho · MSCampo GrandeR$ 73,80 0,00%Milho · SPAvaréR$ 61,80 0,00%

Agronegócio

Bioinsumos já movimentam R$ 7 bilhões e ganham espaço na conta do produtor

Setor cresce com avanço de inoculantes, biofertilizantes e tecnologias de biocontrole, enquanto produtor busca mais eficiência e redução de custos.

Mercado brasileiro de bioinsumos movimentou R$ 7 bilhões em 2025 e pode chegar a R$ 10 bilhões até 2030, puxado por soja, milho e outras culturas.
Divulgação

O bioinsumo deixou de ser apenas uma alternativa discutida em pesquisas e passou a ocupar espaço relevante dentro da planilha do produtor brasileiro.

O mercado movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 e a expectativa da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos, a Anpii-Bio, é alcançar R$ 10 bilhões até 2030, crescimento próximo de 46%. Os números consideram segmentos como biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes.

Os dados foram apresentados durante a XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola, a Relare, realizada em Curitiba.

Por trás do crescimento do mercado existe uma questão que pesa cada vez mais para o agro: produzir com maior eficiência, reduzir a dependência de determinados insumos químicos e tentar controlar custos sem abrir mão da produtividade.

Soja mostra o tamanho da tecnologia

O exemplo mais consolidado está na soja.

Cerca de 85% da área cultivada com a oleaginosa no Brasil utiliza inoculantes ligados à fixação biológica de nitrogênio. A tecnologia permite que bactérias associadas às plantas capturem nitrogênio da atmosfera, reduzindo a necessidade de fertilização nitrogenada química na cultura.

Segundo dados apresentados pela Embrapa, a utilização desse sistema gerou economia estimada em US$ 28 bilhões na última safra. A instituição também calcula que a tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 280 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.

A Embrapa aponta ainda ganhos médios de produtividade entre 8% e 16% com a inoculação anual da soja, mesmo em áreas onde as bactérias já estão presentes no solo.

É uma demonstração de como um insumo biológico pode deixar de ser apenas uma ferramenta ambiental e assumir peso econômico dentro da lavoura.

Milho, trigo e pastagens entram na próxima etapa

A expansão agora avança sobre culturas que exigem grande quantidade de nitrogênio, como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens.

Nos inoculantes destinados às gramíneas, o mercado já supera 40 milhões de doses comercializadas por ano. Diferentemente da soja, essas tecnologias ainda não eliminam completamente a necessidade de fertilizante nitrogenado, mas podem melhorar o aproveitamento dos nutrientes.

Em determinadas condições, segundo a Embrapa, o uso dos bioinsumos pode permitir redução de até 25% da adubação nitrogenada de cobertura.

Esse ponto ganha importância num momento em que o Brasil volta a discutir sua dependência de fertilizantes importados e o impacto da alta internacional desses produtos sobre os custos da safra.

Bioinsumo não substitui automaticamente o fertilizante mineral, e qualquer redução precisa considerar cultura, solo, clima, produto utilizado e recomendação técnica, mas aumentar a eficiência do nutriente já representa uma mudança importante na conta.

Mercado cresce enquanto regras passam por nova fase

O avanço comercial também acontece em meio a uma mudança regulatória.

A Lei 15.070/2024, conhecida como Lei de Bioinsumos, criou um marco específico para produção, importação, exportação, registro, comercialização, fiscalização e utilização desses produtos na agricultura, pecuária, aquicultura e produção florestal. A legislação inclui inoculantes, biofertilizantes, agentes biológicos de controle e diferentes categorias de produtos.

A lei também prevê instrumentos de incentivo à pesquisa, produção e utilização dos bioinsumos, inclusive a possibilidade de mecanismos financeiros e condições diferenciadas de crédito rural para produtores e cooperativas que adotem essas tecnologias.

A regulamentação, porém, continua sendo um ponto importante para o setor. O Ministério da Agricultura abriu em 2026 uma proposta de decreto para detalhar a aplicação da nova legislação. Enquanto a regulamentação específica não é concluída, parte dos procedimentos anteriores continua sendo utilizada para novos registros.

É justamente nessa etapa que indústria, produtores, pesquisadores e governo discutem como garantir inovação sem perder controle de qualidade e segurança.

Crescimento precisa aparecer no resultado da propriedade

O mercado projetar R$ 10 bilhões não significa que todo bioinsumo funcione da mesma forma ou que possa ser utilizado sem critério.

O desempenho depende da tecnologia, da qualidade do produto, das condições da lavoura e da recomendação agronômica.

Mas o crescimento revela uma mudança clara.

O produtor passou a olhar para esses produtos não apenas pela sustentabilidade, mas pela possibilidade de reduzir custos, melhorar a eficiência dos nutrientes, controlar pragas e doenças e aumentar produtividade.

É essa combinação que explica por que os bioinsumos ganharam espaço tão rapidamente.

O Brasil já construiu uma referência internacional com a fixação biológica de nitrogênio na soja. Agora, o desafio é levar essa experiência para outras culturas, ampliar a qualidade dos produtos e criar regras suficientemente claras para que o mercado continue crescendo.

Porque, no campo, a tecnologia biológica só se consolida quando deixa de ser promessa e começa a fechar a conta da lavoura.

Afinidade de tema

Continue lendo

Atualização contínua

Últimas notícias