sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Agro Agora
Dólar PTAX · BRBrasilR$ 5,1859 +0,43%Soja · SCChapecóR$ 138,00 +1,32%Milho · GORio VerdeR$ 53,40 0,00%Milho · MTCáceresR$ 52,80 0,00%Milho · MSCampo GrandeR$ 73,80 0,00%Milho · SPAvaréR$ 61,80 0,00%

Agronegócio

IFC Brasil 2026 coloca competitividade do pescado no centro do debate em setembro

Evento reúne produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e governo para discutir os desafios que podem definir o crescimento do pescado brasileiro.

O International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026 será realizado entre os dias 2 e 4 de setembro, sob o tema “Aquicultor Forte, Brasil Competitivo”.
Divulgação

Evento será realizado de 2 a 4 de setembro e reunirá produtores, cooperativas, empresas, pesquisadores e governo para discutir custos, exportações, sanidade, seguro aquícola e novos mercados

O Brasil tem produção, disponibilidade de água, tecnologia e espaço para ampliar a aquicultura, mas transformar esse potencial em competitividade exige resolver uma conta que passa por custo, mercado, sanidade, financiamento, organização da cadeia e acesso às exportações.

É com esse debate que o International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026 será realizado entre os dias 2 e 4 de setembro, sob o tema “Aquicultor Forte, Brasil Competitivo”. A programação reúne diferentes elos da cadeia do pescado e coloca no centro das discussões os desafios para que a produção brasileira consiga crescer tanto no mercado interno quanto no exterior.

A abertura terá palestra do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, professor emérito do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas. Ele falará, às 9h do dia 2, sobre “A Nova Ordem Mundial: impactos, desafios e estratégias de mercado para o Agro e para o pescado brasileiro”.

A escolha da geopolítica para abrir o congresso mostra como a piscicultura deixou de ser uma discussão restrita à produção. Tarifas, acordos comerciais, abertura de mercados, custos internacionais e mudanças no fluxo mundial de alimentos passaram a interferir diretamente na capacidade do Brasil de transformar peixe em negócio.

Aquicultura cresce, mas Brasil precisa disputar mercado

O evento acontece em um momento de expansão mundial da atividade.

Dados apresentados pelo IFC Brasil, com base em levantamento da Fortune Business Insights, estimam que o mercado global de aquicultura tenha movimentado US$ 607,13 bilhões em 2025 e possa avançar de US$ 653,88 bilhões em 2026 para mais de US$ 1,15 trilhão em 2034, com crescimento médio anual projetado de 7,32%. A Ásia-Pacífico ainda concentra a maior parcela desse mercado.

Para o Brasil, a oportunidade aparece em duas frentes.

A primeira é ampliar o consumo doméstico. Segundo os dados reunidos pela organização do congresso, o brasileiro consome cerca de 10,5 quilos de pescado por habitante ao ano, volume ainda inferior aos 12 quilos anuais usados como referência pela organização do evento e distante da média mundial próxima de 20 quilos.

A segunda está no comércio exterior.

O desafio é fazer com que a produção brasileira avance em escala, padronização, processamento, rastreabilidade e competitividade suficiente para disputar mercados que já compram proteínas brasileiras como carne bovina, suína e de frango.

Exportação e importação entram no debate

Logo no primeiro dia, representantes da Embrapa, ApexBrasil, Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério da Pesca e Aquicultura devem discutir as exportações e importações brasileiras de pescado, tarifas, abertura de mercados e os obstáculos para a expansão da aquicultura.

Esse é um ponto especialmente importante para uma cadeia que busca aumentar sua inserção internacional.

Produzir mais não garante, sozinho, acesso a novos compradores. Exportação depende de negociação sanitária, habilitação de plantas, logística, escala, regularidade de fornecimento e capacidade de competir em preço com países que já possuem cadeias de pescado consolidadas.

Ao mesmo tempo, o produtor precisa lidar com a conta dentro da propriedade. Ração, energia, genética, sanidade, mortalidade e preço recebido continuam determinando se o crescimento da produção também significa maior rentabilidade.

Por isso, a programação do IFC inclui debates sobre custos e rentabilidade, nutrição, probióticos, prevenção de doenças, biosseguridade, melhoramento genético e seguro aquícola.

Seguro aquícola aparece entre os gargalos

A presença do seguro na programação chama atenção porque a gestão de risco ainda é um dos desafios para a expansão profissional da atividade.

Assim como ocorre em outras cadeias do agro, aumentar a produção significa também aumentar o capital exposto a eventos sanitários, climáticos, falhas de energia ou problemas na qualidade da água.

Para um produtor que investe em estruturas, alevinos, alimentação e meses de manejo antes da comercialização, perder um lote pode comprometer não apenas o resultado daquele ciclo, mas a capacidade financeira para continuar produzindo.

Colocar seguro aquícola na discussão de competitividade significa reconhecer que crescimento precisa vir acompanhado de instrumentos capazes de proteger o investimento.

Cooperativas ajudam a explicar liderança do Paraná

O cooperativismo terá espaço importante no congresso, especialmente pelo peso que possui na piscicultura paranaense.

Segundo as informações apresentadas pelo IFC Brasil, o Paraná responde por aproximadamente 27% da produção nacional de peixes de cultivo, com forte participação das cooperativas na estruturação da atividade.

O modelo permite integrar pequenos produtores a uma cadeia que envolve fornecimento de alevinos, ração, assistência técnica, processamento industrial e comercialização.

Na prática, essa organização ajuda a resolver um dos principais problemas das cadeias em expansão: produzir peixe não basta se não houver estrutura para retirar o produto da propriedade, processá-lo dentro das exigências sanitárias e encontrar mercado.

As cooperativas também vêm investindo em recirculação de água, monitoramento de efluentes, eficiência sanitária e modernização de frigoríficos.

O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, defende que o avanço do setor depende justamente da capacidade de conectar o produtor às discussões maiores sobre infraestrutura, sustentabilidade e comércio internacional.

Tilápia, tambaqui e camarão também entram na pauta

A programação vai além dos painéis principais.

O IFC Brasil terá um Workshop Binacional Brasil-Paraguai sobre produção de tilápia no reservatório de Itaipu, Fórum Aqua 5.0 promovido pela Embrapa, reunião do BNDES com empresários, encontro B2B Brasil-Chile e workshop específico sobre exportação de peixes de cultivo.

Também estão previstos debates sobre bioflocos, agroindústrias de pescado de pequeno porte e desenvolvimento das cadeias do tambaqui e do camarão.

A diversidade da programação revela outra característica da aquicultura brasileira: não existe uma única cadeia.

Tilápia, peixes nativos e camarão possuem sistemas produtivos, mercados, desafios sanitários e estruturas de comercialização diferentes. Criar políticas e soluções para o setor exige considerar essas particularidades.

Crescer 7% ao ano não significa que o mercado virá sozinho

A projeção internacional mostra que existe espaço para o pescado crescer, mas mercado potencial não é mercado conquistado.

O Brasil ainda precisa ampliar o hábito de consumo dentro do país, melhorar a apresentação do pescado no varejo, facilitar o preparo para o consumidor e desenvolver produtos com maior valor agregado.

A própria organização do IFC aponta o exemplo da carne suína, cujo consumo brasileiro cresceu significativamente depois de um trabalho que envolveu varejo, açougues, novos cortes, comunicação e aproximação com profissionais de saúde e alimentação.

Para o peixe, parte da vantagem já existe. O produto tem associação forte com alimentação saudável e encontra um consumidor cada vez mais atento à origem e à sustentabilidade.

Mas isso precisa ser transformado em preço, conveniência, disponibilidade e mercado.

É justamente esse o desafio que o IFC Brasil 2026 tenta colocar sobre a mesa: não discutir apenas quanto peixe o Brasil consegue produzir, mas como transformar produção em renda para o aquicultor e competitividade para toda a cadeia.

Serviço

International Fish Congress & Fish Expo Brasil 2026
Data: 2 a 4 de setembro de 2026
Tema: Aquicultor Forte, Brasil Competitivo
Abertura: Roberto Rodrigues, dia 2 de setembro, às 9h
Tema da palestra: “A Nova Ordem Mundial: impactos, desafios e estratégias de mercado para o Agro e para o pescado brasileiro”
Programação: canais oficiais do IFC Brasil.

Afinidade de tema

Continue lendo

Atualização contínua

Últimas notícias