sexta-feira, 28 de agosto de 2026
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Agronegócio

Mato Grosso amplia cana em 5,5%, mas milho é quem puxa avanço do etanol

Estado deve colher mais cana na safra 2026/27, enquanto produção de etanol de milho amplia a liderança mato-grossense no setor.

Estado deve se tornar o sexto maior produtor de cana do país, enquanto liderança no etanol de milho eleva produção total do biocombustível para 8,4 bilhões de litros.
Divulgação

Estado deve colher 19,5 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27 e produzir 8,4 bilhões de litros de etanol somando cana e milho

Mato Grosso deve ampliar a produção de cana-de-açúcar na safra 2026/27 e consolidar espaço entre os maiores produtores do país, mas é o etanol de milho que coloca o estado em posição de destaque no mercado brasileiro de biocombustíveis.

A produção mato-grossense de cana está estimada em 19,5 milhões de toneladas, crescimento de 5,5% em relação às 18,48 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. Se a projeção se confirmar, Mato Grosso ficará na sexta posição entre os maiores produtores nacionais, segundo dados do segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento, a Conab.

O crescimento estadual fica ligeiramente acima da média brasileira. A Conab projeta 705,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no país, alta de 4,7% na comparação com a safra 2025/26. O avanço nacional combina aumento de 1,1% na área destinada à colheita e melhora de 3,6% na produtividade média.

Para Mato Grosso, no entanto, olhar apenas para a cana conta somente uma parte da história.

Etanol de milho muda o tamanho de Mato Grosso no setor

Quando a análise chega ao etanol, o milho passa a ocupar o protagonismo.

A produção mato-grossense de etanol de milho deve crescer 15,2% nesta temporada, passando de aproximadamente 6,24 bilhões para 7,2 bilhões de litros. O volume representa perto de 60% de todo o etanol de milho projetado para o Brasil.

Somado ao etanol produzido a partir da cana, Mato Grosso poderá alcançar 8,4 bilhões de litros do biocombustível, crescimento de 13,7% em relação ao ciclo anterior.

A diferença mostra uma transformação importante no setor sucroenergético. Historicamente associado à cana-de-açúcar, o etanol ganhou no Centro-Oeste uma segunda matéria-prima capaz de aproveitar a enorme oferta regional de milho e ampliar a industrialização do grão dentro do próprio estado.

Para Mato Grosso, isso significa agregar valor a uma produção que antes dependia ainda mais do transporte por longas distâncias até os mercados consumidores e portos.

Cana cresce, mas açúcar deve recuar

Apesar do aumento da matéria-prima, a projeção indica uma mudança no destino da cana processada em Mato Grosso.

A produção estadual de açúcar deve cair 13,5%, para aproximadamente 564,9 mil toneladas, enquanto a fabricação de etanol de cana deve avançar 2,5%, superando 1,2 bilhão de litros. Desse volume, aproximadamente 430 milhões de litros devem ser de etanol anidro e 774 milhões de hidratado.

Essa decisão entre produzir açúcar ou etanol é parte permanente da estratégia das usinas e depende de preços, demanda e condições de mercado.

No cenário nacional, essa divisão também aparece. A Conab estima produção de 42,89 milhões de toneladas de açúcar, queda de 2,9%, enquanto o etanol de cana pode crescer 9,7% e chegar a 29,98 bilhões de litros.

Brasil pode produzir quase 42 bilhões de litros de etanol

A expansão do etanol de milho não é exclusiva de Mato Grosso, embora o estado lidere esse mercado.

A produção brasileira a partir do cereal deve alcançar 11,91 bilhões de litros, alta de 17% sobre a temporada anterior. Somando cana e milho, a oferta nacional de etanol está projetada em 41,88 bilhões de litros, crescimento de 11,7%.

O cenário também encontra uma mudança importante do lado da demanda.

No fim de julho, o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina passou de 30% para 32%, o chamado E32. Segundo a Conab, a elevação tende a aumentar a demanda pelo biocombustível e pode estimular um direcionamento maior de matéria-prima para a fabricação de etanol.

Para estados produtores, portanto, o crescimento não está ligado apenas à capacidade industrial, mas também às decisões de política energética.

Centro-Oeste ganha peso na produção

A expansão de Mato Grosso faz parte de um movimento maior no Centro-Oeste.

A região deve produzir cerca de 157 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2026/27, crescimento de 4,6%. A área destinada à cultura deve chegar a aproximadamente 2 milhões de hectares, com produtividade média projetada em 78.755 quilos por hectare.

O Sudeste permanece muito à frente, com 451,4 milhões de toneladas. Somente São Paulo deve colher aproximadamente 362,8 milhões.

Mas o diferencial do Centro-Oeste está cada vez mais na integração entre grãos, energia e indústria.

Mato Grosso é o maior produtor brasileiro de soja e um dos principais produtores de milho. A expansão do etanol produzido a partir do cereal cria um novo destino para parte dessa oferta e, ao mesmo tempo, gera coprodutos utilizados na alimentação animal, ampliando a conexão entre agricultura, biocombustíveis e proteína animal.

Produzir mais etanol também exige estrutura

Os números mostram uma cadeia em expansão, mas crescer quase 1 bilhão de litros de etanol de milho em uma única temporada aumenta também a necessidade de infraestrutura.

É preciso receber e armazenar grãos, processar milho, distribuir combustível e movimentar coprodutos. Isso coloca logística, energia, armazenagem e capacidade industrial dentro da mesma discussão.

Para Mato Grosso, esse desafio é especialmente relevante porque boa parte da produção agropecuária está distante dos principais centros consumidores.

O avanço industrial pode reduzir parte da necessidade de retirar o grão in natura do estado, mas cria outra demanda, fazer o combustível e os derivados chegarem aos mercados de forma competitiva.

A safra 2026/27, portanto, reforça duas tendências paralelas. Mato Grosso ganha espaço entre os maiores produtores de cana do Brasil, mas é no etanol de milho que o estado já assumiu uma liderança nacional.

Mais do que produzir cana ou milho, o movimento mostra uma mudança na economia do agro mato-grossense: transformar cada vez mais matéria-prima dentro do próprio estado antes de colocá-la na estrada.

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