sexta-feira, 28 de agosto de 2026
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Agronegócio

Novo abacaxi da Embrapa dura mais e tenta reduzir perdas depois da colheita

Nova cultivar combina frutos mais firmes, maior vida de prateleira e resistência à fusariose para reduzir perdas entre a lavoura e o mercado.

Nova cultivar combina resistência à fusariose, frutos mais firmes e maior vida de prateleira para reduzir perdas da lavoura até o mercado.
Divulgação

Uma parte importante da perda na produção de abacaxi acontece quando o trabalho dentro da lavoura já terminou. Depois da colheita, o fruto ainda precisa enfrentar manuseio, embalagem, transporte, armazenamento e o tempo necessário até chegar ao consumidor.

É justamente nesse caminho que a Embrapa quer reduzir prejuízos com a BRS Sol Bahia, nova cultivar desenvolvida para apresentar frutos mais firmes, resistentes ao transporte e com maior vida de prateleira.

A proposta é entregar ao produtor um abacaxi capaz de chegar em melhores condições ao mercado, diminuindo perdas numa etapa em que pouco adianta ter alcançado boa produtividade no campo se parte da produção não consegue ser comercializada.

Resistência à fusariose também entra na conta

A BRS Sol Bahia apresenta outra característica importante para o produtor, a resistência genética à fusariose, considerada uma das principais doenças da cultura do abacaxi.

Segundo a Embrapa, as perdas provocadas pela doença atingem, em média, cerca de 20% das plantas, mas podem ser muito maiores dependendo das condições da lavoura e da incidência do fungo.

A resistência genética ajuda a reduzir essa vulnerabilidade e pode diminuir a dependência de estratégias de controle ao longo do ciclo produtivo.

O resultado é uma cultivar que tenta enfrentar perdas em duas pontas, dentro da lavoura, com maior resistência à doença, e depois da colheita, com um fruto mais preparado para transporte e comercialização.

Fruto pesa cerca de 1,3 quilo

A nova cultivar produz frutos com peso médio de 1,3 quilo, elevado teor de açúcar e características direcionadas principalmente ao mercado de consumo in natura.

A planta também possui espinhos concentrados apenas nas extremidades das folhas, o que facilita algumas etapas de manejo e colheita, especialmente para trabalhadores que precisam circular entre as plantas.

A BRS Sol Bahia passou por avaliações entre 2017 e 2024, com testes em diferentes ambientes de produção.

Segundo a Embrapa, a cultivar apresentou adaptação às principais regiões produtoras, com resultados especialmente positivos no semiárido da Bahia, no Triângulo Mineiro e no Norte Fluminense.

Pós-colheita também é produtividade

O desenvolvimento chama atenção para uma parte da eficiência agrícola que nem sempre aparece quando se fala em produtividade.

Não basta produzir mais toneladas por hectare, também é preciso fazer com que o maior volume possível dessa produção chegue em condições comerciais ao consumidor.

Um fruto perdido durante transporte ou armazenamento já consumiu terra, água, fertilizantes, defensivos, mão de obra, energia e todo o investimento realizado ao longo do ciclo, mas não gera receita na ponta.

Por isso, características como firmeza e vida de prateleira também entram na conta econômica da propriedade.

A nova cultivar não elimina a necessidade de cuidados com ponto de colheita, embalagem, temperatura, armazenamento e transporte, mas pode reduzir parte da vulnerabilidade do fruto nesse processo.

Produtores interessados na BRS Sol Bahia devem buscar a Embrapa para informações técnicas e orientações sobre viveiros e pontos autorizados para aquisição das mudas.

No campo, tecnologia não precisa necessariamente colocar mais abacaxis na lavoura para aumentar o resultado. Em alguns casos, o ganho está em evitar que aquilo que já foi produzido se perca antes de chegar à mesa.

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